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Cinema em Curitiba – parte I

Ao longo do século XX, a sétima arte ganhou espaço singular na vida de toda a sociedade. Desde seus primórdios, em fins do século XIX, o cinema é em nossos dias uma das principais ferramentas de reconhecimento e valorização dos bens culturais de toda a humanidade. Daí sua força e sua importância.

Há ainda aspectos comerciais, também de muita importância, aos quais dedicarei especial atenção ao longo dos próximos artigos. Por ora, vale uma pequena introdução a respeito de um ponto que considero de suma importância para todos nós, curitibanos, natos ou não, que amamos nossa cidade. Trata-se dos espaços públicos de exibição cinematográfica.

Uma das funções do Poder Público constituído é, sem dúvida, administrar os patrimônios culturais, em suas mais variadas manifestações, de maneira distinta aos interesses meramente mercadológicos presentes nas ações similares levadas a cabo pela iniciativa privada. Garantir a todos os cidadãos o acesso à produção cultural de toda a humanidade está, naturalmente, inserida nesse contexto. No que se refere ao cinema, observamos em Curitiba uma situação peculiar, se não triste e contrária a esse princípio.

Em 1980, a capital paranaense atingia um milhão de habitantes. Se comparada aos dias atuais, uma cidade com uma demanda social bem mais modesta, já que hoje somos quase dois milhões. Diante disso, nada mais natural do que a ampliação, pelo Poder Público, de programas de acesso à cultura. Entretanto, no que diz respeito a exibições cinematográficas, fomos ladeira abaixo nos últimos anos.

Em 1975, sob o governo de Saul Raiz, a capital paranaense ganharia a Cinemateca de Curitiba, numa ação de grande importância da Prefeitura Municipal. Já em 1981, agora em seu segundo mandato como prefeito, Jaime Lerner inauguraria o Cine Groff, nas dependências da Galeria Schaffer, em plena Rua XV. Em 1985, duas novas salas públicas são disponibilizadas à população: o Cine Luz, anexo ao Citibank, na Praça Santos Andrade, e o Cine Ritz, também na Rua XV, quase esquina com a Rua Dr. Muricy. Por último, em 1988, nasce a primeira sala em um bairro da cidade: o Cine Guarani, anexo ao então Centro Cultural do Portão, abria suas portas.

Ainda que os mais críticos possam crer, e com razão, que essa oferta estava aquém do que poderia se esperar de uma cidade da importância de Curitiba, temos que admitir que, para os padrões brasileiros, a realidade da capital se mostrava privilegiada.

Mas como “nem tudo são flores no Paiol de Pólvora[1]”, 36 anos após a inauguração da Cinemateca e 23 anos depois da do Cine Guarani, os ventos sopraram, e como muita força, em sentido contrário. Atualmente, há apenas uma sala pública de cinema em atividade em nossa capital: a sala Groff, da Cinemateca de Curitiba. Além da promessa de outro Centro Cultural na Rua Riachuelo, centro de Curitiba, com salas de cinema, e da interminável reforma do agora Museu Metropolitano de Arte (Muma), antigo Centro Cultural do Portão, onde está prevista a reinauguração do Cine Guarani, temos um quinto das salas públicas que dispúnhamos nos anos 90. Esses dados devem falar por si. Caso contrário, continuamos no próximo texto.


[1] Livre adaptação dos versos de Vinicius de Moraes.

Sobre Ulisses Galetto

Doutorando em História pela UFPR Músico e compositor - Grupo FATO Desenhista de som para cinema

Discussão

9 Respostas para “Cinema em Curitiba – parte I”

  1. Valeu pela contribuição Ulisses, eu pessoalmente cresci indo em cinemas de rua, os privados viraram igrejas e os públicos, como Cine Luz, apagou, agora tenho que levar a minha filha num Shopping…
    Estarei acompanhando por aqui.
    Grande abraço

    Publicado por Thiago Moreira | 15/09/2011, 8:44
  2. Apenas um detalhe, o MIS é de responsabilidade do Governo Estadual. Em todo caso, valeu a lembrança Gustavo. Sem dúvida, mais um espaço relegado a segundo plano pelos últimos governos.

    Publicado por Ulisses Galetto | 14/09/2011, 17:32
  3. Frederico, vc pode mandar as sugestões para curitibaquer@gmail.com

    Publicado por Sandoval Matheus | 14/09/2011, 17:22
  4. Legal o texto. Rola de abrir um tópico no site pro pessoal fazer sugestões nas pautas culturais pra próxima gestão a frente da Prefeitura? A iniciativa desse site é muito boa.

    Publicado por Frederico | 14/09/2011, 16:44
  5. Os caras transformaram o Espaço Cultural do Portão em um grande elefante branco. Vi coisas fantásticas acontecendo ali, bons filmes no cinema, grupos de teatro e coral, aulas de arte, encontros culturais.. e agora? Aquela obra inacabada.. ou obra não iniciada seria melhor dizer.

    Publicado por Raro de Oliveira | 13/09/2011, 10:00
  6. Vale lembrar que nosso Museu da Imagem e do Som (MIS) é mais um espaço “fechado” e em eterna reforma já há 9 anos (ou mais).

    Publicado por Gustavo S. | 12/09/2011, 20:54

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